A 7 de Abril do ano 30, esse digno e singular representante de Deus foi traído e entregue às mãos dos seus inimigos, aqueles que nesse tempo se afirmavam os exclusivos representantes de Deus, os sacerdotes do templo. Eles o povo escolhido, os semelhantes eram ímpios.
... E Judas saiu apressado, deixando a sala, para levar por diante essa amaldiçoada deliberação. A traição ao amor, ao perdão e à misericórdia na integridade corporal do Mestre. Também a sua mensagem sofreu, até hoje, uma enorme traição, e o que é ainda mais surpreendente: a mão criminosa de Roma fundar uma religião em nome do condenado sem culpa, crucificando-O...
"Eu transmiti-vos o meu desejo de realizar esta ceia convosco e, sabendo eu como as forças das trevas e do mal conjuram para materializar os seus desejos de levarem à morte o Filho do Homem. Conclui que será bom faze-lo nesta sala em secreto e um dia antes, pois amanhã por esta hora já não estarei convosco. A minha hora chegou, e não seria necessário que um de vós me traísse entregando-me nas mãos dos meus inimigos".
Sentado à esquerda do Mestre e depois de todos fazerem a mesma pergunta "serei eu?", Judas Iscariotes perguntou por último: "serei eu?", "tu o disseste". De seguida o Mestre em voz baixa disse para Judas: "Aquilo que decidiste fazer, fá-lo depressa." Ele levantou-se da mesa e apressadamente deixou a sala.
Quando o amor estiver realmente morto, qualquer advertência, mesmo que seja dada da forma mais cuidada e amorosa, geralmente, apenas intensificará o ódio, dando lugar à realização integral dos projectos calculistas, próprio de um "morto vivo".
..."Este é o cálice da bênção de uma nova doação da verdade... Este é o cálice da recordação de mim"... "Eu vos disse que sou o pão da vida. Este pão da vida é a vida unida do Pai e do Filho, em uma só dádiva"...
O Mestre como era seu hábito, sempre recorreu à linguagem simbólica quando ensinou grandes verdades espirituais. Ele ao usar esse método, foi o modo de criar as necessárias dificuldades de interpretação para que os vindouros não se apegassem a interpretações precisas e definidas para as suas palavras. Deste modo ele procurou que as gerações vindouras não cristalizassem os seus ensinamentos, de apego à corrente, às tradições e aos dogmas.
O Mestre foi cuidadoso em preferir os seus significados mais do que em comprometer-se com as suas definições precisas.
Ele não quis destruir o conceito individual da comunhão divina, nem desejou limitar a imaginação individual do crente, paralisando-a formalmente. Ele procurou sempre colocar a alma do homem renascido em liberdade espiritual.
Antão


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